História

História de Boa Esperança

Família Livramento marca início da povoação do município

O município de Boa Esperança nasceu de uma pequena sesmaria de 72 alqueires de terras, adquiridos do Estado, por Antônio dos Santos Neves com a finalidade de explorar a madeira da região, rica em jacarandá e peroba.

De 1919 a 1920 foi instalada a primeira serraria de madeira em Boa Esperança, cujo maquinário foi transportado através do braço do rio São Mateus. Esse maquinário era tocado a vapor.

No ano de 1921, chegou a Boa Esperança, provavelmente no mês de junho, João Antônio do Livramento, vindo da cidade de Palmares, estado do Sergipe, com a esperança de conseguir uma vida melhor. Chegando a Boa Esperança, que na época era coberta por matas, Antônio dos Santos Neves passou para João Antônio a gerência da serraria. Anos depois, a serraria fechou, devido à desvalorização da madeira. Então, João Antônio passou a gerenciar somente o corte de madeiras em toras, que eram puxadas por bois de canga do interior das matas até a margem do rio do Norte. Quando o rio enchia, as madeiras desciam amarradas ou a reboque, seguidas por canoeiros que faziam-na chegar em São Mateus, onde a madeira de segunda era serrada e as madeiras de primeira seguiam de navio rumo à cidade do Rio de Janeiro. Estando instalado na região e com o cargo de gerente, João Antônio volta para Sergipe, trazendo consigo seus irmãos Daniel e Roseno, cunhados e primos. Seus cunhados, por terem deixado seus familiares em Sergipe, não resistem e retornam ao nordeste.

Em 1922, João Antônio amasia-se com Maria de Souza, que veio de Viana para São Mateus com seu irmão José Horácio de Souza, um marinheiro que resolveu vir para Boa Esperança. João e Maria viveram amasiados durante 18 anos, casando-se no estado civil em São Mateus (na época, Boa Esperança era distrito de São Mateus).

No dia 13 de maio de 1923 nasceu Darcy do Livramento, o primogênito do casal e o primeiro filho de Boa Esperança. Depois de Darcy, nasceram Davi do Livramento, no dia 05 de abril de 1924, Delmira do Livramento, Delzira do Livramento em 13 de maio de 1927 e por último, Delfina do Livramento em 29 de fevereiro de 1929.

Darcy e Davi passaram a ajudar seu pai na extração de madeira. Com seu árduo trabalho, João Antônio e seu irmão Roseno compraram seu pedaço de terra que deram o nome de Fazenda Boa Mira. Anos depois, Roseno vende a parte que lhe pertencia para o seu irmão e volta para o Sergipe. João construiu uma casa na fazenda e passou a residir lá com sua esposa e filhos, onde passou a criar bois. Ele construiu também uma casa de farinha, com moinho tocado à água, que fornecia energia elétrica.

No ano de 1939, Antônio dos Santos Neves comprou um caminhão, facilitando o transporte de madeira, que até então era feito somente por bois de canga e pelo rio do Norte, surgindo então as primeiras estradas, pois antes eram somente carreiras no meio da mata.

No ano de 1940, a família passou por um grande sofrimento. Delmira do Livramento, de quatorze anos, e Delzira do Livramento, doze anos, vieram a falecer vítimas do sarampo, já que na época não havia assistência médica. Na tentativa de salvar as meninas, veio de Nova Venécia um farmacêutico chamado Zenor Pedrosa Rocha, o qual receitou uma injeção, que não surtiu efeito, já que a doença já estava muito avançada.

Os padres vinham de Nova Venécia. Nessa ocasião, o padre Zacarias veio para batizar Delmira e Delzira. Quando chegou na casa de João Antônio, num dia de domingo, Delzira já estava morta dentro do caixão no centro da sala. Então, o padre a benzeu com água benta e batizou Delmira, que veio a falecer numa quinta-feira, cinco dias mais tarde.

Após três meses, o padre Zacarias voltou à residência de João Antônio, onde foi realizada a primeira missa de Boa Esperança. Nessa missa, foi celebrado o casamento religioso de João Antônio do Livramento e Maria de Souza do Livramento, além do casamento do pai adotivo de dona Elpídia e sua mãe, Maria Ribeiro, entre outras pessoas. Além dos casamentos, o padre Zacarias realizou o batizado de Darcy, Davi, Delfina e de outras crianças, e fez também a primeira comunhão de Elpídia e dos recém-batizados. Os sacramentos eram celebrados nas casas, devido à falta de uma igreja. João Antônio não se casou antes porque desejava casar-se e batizar os filhos em sua terra natal, a cidade de Palmares, no Sergipe.

No dia 29 de janeiro de 1945, Darcy do Livramento, com 21 anos e Elpídia Gonçalves, com 17 anos, saíram de casa, pois a família dos dois não aprovava sua união e também por Elpídia ser muito maltratada pelo padrasto. Os dois saíram de casa à noite e foram para um local na época perto do córrego da Água Fria, chamado Mutunzinho, onde permaneceram por três meses. A mãe de Elpídia, após quinze dias, foi visitá-la. Depois desses três meses, o casal veio para a vila de Boa Esperança. Darcy trabalhou na construção da estrada rumo à São Mateus até nas proximidades da propriedade de Dilô Barbosa. Então, Darcy e Elpídia moraram num local chamado Prazo, por três meses. Saindo desse local, mudaram para o córrego da Água Fria, passando a residir numa humilde casa rodeada de mata, onde tiveram três filhos: Maria das Dores (a Dorinha), que nasceu em 15 de junho de 1946 e faleceu cinco meses depois e Josepha, nascida em 26 de outubro de 1947.

Nesse mesmo ano, no dia 27 de dezembro, Darcy e Elpídia foram de cavalo para a cidade de São Mateus, onde foi realizada a cerimônia religiosa do seu casamento na igreja São Benedito. No dia 04 de setembro de 1949, nasce o terceiro filho do casal, Gilberto. Completados sete anos que moravam na Água Fria, no ano de 1951 mudaram novamente para a vila de Boa Esperança.

No dia 29 de outubro de 1952 nasceu o quarto filho do casal, Jordano. Depois seguiram-se o nascimento dos outros filhos: Jorzolina, Josefina, Joseth, João Antônio, Darcy, Rosimari, Rosiane e Elismara.

Família de João Antônio do Livramento

Filhos de João Antônio do Livramento (in memorian) e Maria de Souza do Livramento (in memorian)
Darcy do Livramento, Davi do Livramento (in memorian), Delmira do Livramento (in memorian), Delzira do Livramento (in memorian) e Delfina do Livramento Aguiar (in memorian).

Filhos de Darcy do Livramento com Elpídia Gonçalves do Livramento
Josepha do Livramento França, Gilberto do Livramento, Jordano do Livramento, Jorzolina do Livramento Vieira, Josefina Maria do Livramento Toniato, Joseth do Livramento Areia, João Antônio do Livramento Neto, Darcy do Livramento Filho, Rosimari do Livramento, Rosiane do Livramento e Elismara do Livramento.

Filhos de Davi do Livramento (in memorian) com Carlinda Aguiar do Livramento (Dona Cota)
Delmira Aguiar do Livramento, Doralice Aguiar Livramento, Derlinda Aguiar Livramento Carvalho, Dalvina Aguiar Livramento e Davi Aguiar do Livramento (in memorian).
Obs: Ramos de Oliveira de Aguiar e Carlinda Aguiar do Livramento (Dona Cota) eram irmãos.

Filhos de Delfina do Livramento Aguiar (in memorian) com Ramos de Oliveira Aguiar (in memorian)
Maria Olinda das Graças Aguiar Borotto, Marino Livramento Aguiar, Marília Aguiar Lorenzoni, Marilda Aguiar Bispo, Marinaldo Livramento Aguiar, Milton Ramos Aguiar Livramento, Ronaldo Aguiar Livramento, Marinalva Livramento Aguiar, Oscar Livramento Oliveira e Rosimere Aguiar Zacarias.

O Município de Boa Esperança-ES, foi desmembrado do Município de São Mateus em 28 de Dezembro de 1963, pela Lei Estadual nº 1.912, publicada no Diário Oficial do Estado em 04 de janeiro de 1964 e instalado em 03 de maio de 1964.

Por Eliusson Antônio de Azevedo e Rafael Kohlz

Dados Históricos

No início do século XX a construção de serrarias dá início a um processo de desmatamento dessa região considerada como um dos últimos refúgios indígenas, com a predominância da tribo dos índios Botocudos, que posteriormente migraram para Minas Gerais e Bahia. A partir de 1950 começaram a chegar na região os imigrantes italianos.

O município de Boa Esperança foi elevado à categoria de Distrito em 1949, através da Lei nº 65.265, de 22 de outubro de 1949, sendo criado anos depois, pela Lei nº 1.912, de 28 de dezembro de 1963, que foi publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 1964. O município foi desmembrado de São Mateus e instalado no dia 03 de maio de 1964.

Localização geográfica do município: área: 428.7 km2; altitude: 140 m; latitude: 18° 32' 22" S; longitude: 40° 17' 44" W.Gr e distância da capital Vitória: 283 km, limitando-se ao Norte com Pinheiros; ao Sul com Nova Venécia; ao Leste com São Mateus e à Oeste com Ponto Belo. O clima é quente, com média de 25º C, média das máximas 30º C e média das mínimas 20º C. A média pluviométrica é de 1.128,4 mm/ano de chuvas, com maior ocorrência nos meses de outubro, novembro, dezembro e janeiro.

Hoje em dia Boa Esperança é composta pelos Distritos de São José do Sobradinho, distante 25 km da sede e Santo Antônio do Pousalegre, 9 km, além dos povoados do Quilômetro Vinte, distante 15 km e Bela Vista 8 km distante da sede do município.

A população do município de acordo com o Censo Demográfico do IBGE no ano de 2000 é de 13.679 habitantes. Essa população é constituída de mineiros, baianos, sergipanos, fluminenses e capixabas. Sua densidade demográfica é de 41,63 habitantes/km2.

A economia de Boa Esperança baseia-se na cafeicultura, pecuária, cana-de-açúcar e no comércio. Com referência a estrutura agrária, atualmente o município tem 780 propriedades cadastradas no INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), predominando os pequenos e médios produtores rurais.

Dados Políticos

Boa Esperança foi administrada inicialmente pelos interventores nomeados pelo Governo do Estado na ocasião: José Cirino do Carmo (03-05-64 a 27-06-64); João Cipriano de Faria (in memorian) (28-06-64 a 06-08-66); João Sodré de Souza (in memorian) (07-08-66 a 06-09-66) e Tenente Luiz de Mello (07-09-66 a 31-01-67). No dia 31 de janeiro de 1967 foi empossado o primeiro prefeito eleito pelo povo: Ramos de Oliveira Aguiar (in memorian).

Governaram Boa Esperança os prefeitos: Ramos de Oliveira Aguiar (31-01-67 a 31-01-71); Amaro Covre (31-01-71 a 31-01-73); Emerson da Rocha Verly (31-01-73 a 31-01-77); Amaro Covre (31-01-77 a 31-01-83); Etury Barros (31-01-83 a 31-12-88); Amaro Covre (01-01-89 a 31-12-92); Joacyr Antônio Furlan (01-01-93 a 31-12-96); Agnaldo Chaves de Oliveira (01-01-97 a 31-12-00); Amaro Covre (01-01-01 a 31-12-08); Romualdo Antonio Gaigher Milanese(01-01-2009 a 31-12-2012); Romualdo Antonio Gaigher Milanese(01-01-2013 a 31-12-2016). Atualmente o prefeito é Lauro Vieira da Silva, tendo como vice Valdir Ramos Mattusoch.

A Câmara Municipal foi instalada no dia 31 de janeiro de 1967, e era composta pelos vereadores: Jaconias Martins Costa, Alfeu Thomazini, David Covre, Aurelino José Cyprestes (in memorian), Ormindo Bernardino dos Santos, Orestes Berlique (in memorian), Emerson da Rocha Verly (in memorian), Lacide Ribeiro França (in memorian), Constantino Rodrigues e Walter Santos (in memorian), que na ocasião não eram remunerados.

Atualmente a Câmara é composta pelos vereadores: Charles Costalonga Ladislau, Cleides Helena Capetini, Cloves dos Anjos Neres, Jocemar Xavier da Silva, José Dionízio da Paz, Josil Gilberto Sangiorgio, Marcos Pereira dos Santos, Selmo de Jesus Mendes e Sergio Ferreira Schimoor.

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